31.03.2021

Em março Miley Cyrus concedeu entrevista ao podcast “Rock this with Allison Hagendorf” do Spotify, onde falou sobre suas influencias do rock e seu último álbum de estúdio, “Plastic Hearts”, em uma conversa de quase 2 horas de duração.

Abaixo você pode ler a tradução feita por nossa equipe.

Tradução & Adaptação: Adalgiza Fernandes, Débora Brotto, Lara Moraes, Letícia Abreu, Lucas Gomes, Thayná Araújo e Welison Fontenele – Equipe Miley Cyrus Brasil

A apresentadora diz que de centenas de artistas que já entrevistou, Miley é uma de suas favoritas, pois a cantora a surpreendeu com seu conhecimento pela música, seu respeito pela história da música e sobre como a gratidão a mantém com os pés no chão. Ainda diz que o álbum Plastic Hearts tem colaborações icônicas. Apesar de nunca ter visto Miley cantar rock ao vivo, a versão de Miley para ‘Zombie’ mexeu com ela. 

Miley grava o podcast vestindo uma camisa de Joan Jett, uma de suas maiores inspirações da vida.

 Miley: Eu fui para uns shows mais intimistas, e tiraram várias fotos e filmaram, então eles engavetaram tudo, e eu não consegui uma foto.

 Alisson: Isso é traumatizante 

 Miley: Isso é tão engraçado, pois alguns dos meus amigos mais jovens, que são artistas e fotógrafos, querem usar filme porque é descolado, e todos esses caras, que cresceram com seus rolos de câmera, quando eles vão fazer uma sessão de fotos, uma vez na vida, e tem que utilizar uma câmera digital, não sai nada bom. Então, é tudo sobre ter um iPhone. Eu prefiro fotos de um iphone do que uma câmera digital. Eu amo. É muito engraçado.

 Alisson: Você vive em frente das câmeras, na mídia, você acha que agora você está indo para um lugar onde você não se importa muito com isso, onde você acredita que está agora com relação a isso?

 Miley: Quando eu estou na frente das câmera, novamente, é como se eu estivesse escrevendo uma música, se eu estiver mal, vai ser honesto no momento. Por exemplo, no clipe de Mother’s Daughter, eu não estava mal por conta de mim, naquele dia eu estava com o coração partido, pois eu e meu ex de 10 anos decidimos terminar uma noite antes e eu pensava na letra “não foda com minha liberdade eu sou obscena, e má”. Minha mãe estava sentada lá, então “deve ser alguma coisa na água ou eu ser filha da minha mãe” e eu estava percebendo o quão forte minha mãe era. Minha mãe foi adotada, passou uma parte da vida dela pensando que não era querida, eu só queria ser tão resiliente o tanto que ela é. No meu termino, quando eu estava pelada com uma roupa de látex vermelha e cheia de diamantes, era pra eu estar dançando, mas aquele não era um dia pra eu estar sorrindo, eu estava de coração partido, mas eu me permiti a sentir aquilo. Então todas as vezes que eu tiro uma foto ou estou na frente de uma câmera, sempre é verdadeiro, é a mesma coisa quando eu escrevo, porque minha vida sempre foi assim, crescendo em um sitcom, fazendo as pessoas sorrirem, mas a nossa série tinha muita emoção, e também, eu acreditava que, pelo menos uma vez na semana, as pessoas podiam assistir algo em família, e eles sentiam alguma coisa, mesmo que tenha sido uma série estúpida de criança, se tornou mais que isso, era feito com coração. Minha conexão com meu pai, com os meus amigos eram reais, eu sempre acreditei na autenticidade no momento, mas tinham alguns dias que foi preciso fingir, como quando terminava algum namoro. Eu comecei a menstruar naquele set de filmagens. Tudo que aconteceu comigo para que eu crescesse, aconteceu naquele set. Então eu coloquei um basta, não podia contar outra história que não fosse a minha. Então eu recusei fazer aquilo.

 Alisson: Bom pra você. Bem, você tem o gene e está rodeada de pessoas do showbusiness, Dolly Parton é sua madrinha, ela é maravilhosa, tenho certeza que isso está no seu sangue, mas ela também é humilde, você pode sempre ter isso em mente.

 Miley: Dolly, também criou sua própria imagem baseado na honestidade, ela é minha madrinha, eu a conheço, ela é honesta. Quando ela está na televisão, você sente que ela está olhando e conversando com você, diretamente com você. Ela consegue usar os dois lados do coração, tem charme, tem entretenimento, tem um escapismo para quem está assistindo. Mas ali tem uma história, tem honestidade, tem uma relação. Eu não sei se você viu o que ela postou no Twitter e no Instagram hoje, mas queriam por uma estátua dela no Tennessee em sua homenagem e ela disse que não é o momento certo das pessoas honrarem ela, sabe, não é sobre ter que honrar pessoas e sim de fazer um bom trabalho, e ela fez uma carta pedindo para não fazerem, ela não quer ser colocada em um pedestal.

 Alisson: Lenda viva! Ela é muito legal.

 Miley: Ela é tem muita classe, sabe? “Porque me botar em um pedestal com tudo que está acontecendo no mundo agora, isso não é sobre me honrar, e sim sobre continuar nessa luta” tem muito coração e verdade nisso tudo, e eu amo isso. 

 Alisson: Você está certa, eu tive a sorte de a ver no show de Kenny Rogers Farewell alguns anos atrás em Nashville, e tinham algumas estrelas homenageado Kenny, foi uma noite muito legal, mas ai quando Dolly subiu no palco, é incrível, como simultaneamente se mostra a maior lenda do rock, você sente que você a conhece, isso é muito bizarro e único o que, apenas ela, consegue fazer.

 Miley: Outro dia, quando eu tive essa conversa com outros artistas, estávamos falando da diferença entre atores e músicos, e atores tem momentos difíceis pois precisam ser estrelas na sua própria individualidade e irradiar suas qualidades que atraia você, que você possa se interessar por eles. Mas eles precisam ser como uma papel em branco, pois eles querem que você acredite que eles podem interpretar qualquer um, você não quer os ver quando eles estão atuando.

 Alisson: Eles tem que ser camaleões.

 Miley: E isso não acontece com alguns artistas, novamente, você quer ter o escapismo, quero que você escute o meu pior dia, e ainda continuar sendo uma boa pessoa, eu vou colocar minha roupa de banho, e vou colocar em um show para você, não existe trabalho maior quanto o showbussines, eu tenho que estar além e você ainda vai querer saber momentos íntimos. Recentemente, no show de Tampa, pelo menos pelos dois últimos anos, eu não conseguia cantar Wrecking Ball sem chorar mas no resto do show eu estava em uma moto, sendo aquela garota rebelde, cantando Nine Inch Nails com uma roupa de líder de torcida, que é ridículo, mas quando comecei a cantar Wrecking Ball, quando comecei a contar aquela história, eu me permitir sentir. Então eu acho que existiu um equilíbrio ali. 

 Alisson: E falando sobre Wrecking Ball, você viu o cover de Billy Corgan, da banda Smashing Pumpkins?

 Miley: Sim, sim, eu sempre faço covers e é sempre legal quando alguém que eu tenho admiração faz de uma música minha.

 Alisson: Tem alguma coisa que você queira compartilhar ou alguma coisa que você quer que seus fãs saibam ou que eles se surpreendam 

 Miley: Eu gostaria de dizer uma coisa muito engraçada. Eu tive uma reunião meses atrás, antes mesmo de lançar Plastic Hearts, e estávamos conversando sobre minha carreira, e me perguntaram “Tem alguma coisa que possamos fazer por você? Tem alguma coisa, sobre sua música que você gostaria de fazer e ainda não fez? Quais seus próximos objetivos para projetos futuros?” e eu respondi “Eu quero trabalhar com pessoas que se identifiquem com que eu estou sentindo agora, quero sugerir artistas que eu acredito que se identificam comigo, então eu gostaria muito de poder mudar isso, trabalhar com quem eu gosto e se encaixa comigo, eu iria amar fazer outra tracklist de rock” e então um cara começou a rir de mim, então eu só disse “tudo bem, obrigado, vou desligar a ligação” não disse nem que retornaria, a porra de um cara riu de mim, e dois meses depois meu álbum estava no topo das paradas de rock, Zombie e Heart of Glass estavam nas playlists de rock do Spotify, então a única vez que você deve aceitar um não é quando uma menina ou um menino recusarem a fazer sexo com você, se não for esse caso, nunca aceite não como resposta.

 Alisson: Bom conselho.

 Miley: Se não querem transar com você, não insista. Mas em outras circunstâncias, “não” não é o fim. Eu gosto muito dessas histórias, pois já escutei várias delas, de portas que foram fechadas ou quando muitas pessoas riram na minha cara sobre lançar um álbum de rock e dois meses depois eu e minha equipe comemoramos que atingimos o número 1 nas paradas de rock. Então eu quero que eles acreditem que “não” não é fim. 

 Alisson: Adorei esse conselho! E esse álbum fala por ele mesmo, é um álbum de rock maravilhoso do começo ao fim, e como eu disse, é um capítulo muito bonito para você como artista. Eu sempre soube que você é uma grande artista, mas, depois disso, eu estou muito animada para ver o que vem depois.

 Miley: Isso é apenas o início, eu estou me sentindo lá em cima, estou sentindo que isso é só o começo e eu agradeço muito a sua ajuda, a dos meus fãs que estão comigo desde o início e já me viram de diversas formas diferentes e eles sempre me apoiam com tudo. Eu sou uma das pessoas mais sortudas do mundo, que eu posso falar de música, fazer música, ou ser inspirada por isso e usar minhas habilidades para isso. Então eu só tenho gratidão.

 Alisson: Primeiramente, estou amando seu look agora. Me fale sobre sua camiseta.

 Miley: Ah, obrigada. Essa é uma camiseta original de “Black Heart” da Joan Jett. Eu pensei em usá-la para representar, obviamente, uma das maiores inspirações na minha vida pessoal, na minha carreira, nas minhas composições… ela foi uma das colaborações do meu novo álbum “Plastic Hearts”, cantando na música “Bad Karma”. Nós recentemente fizemos um show juntas em Tampa, provavelmente um dos, se não o primeiro show, desde a pandemia e quando ela chegou [no palco] as pessoas ficaram enlouquecidas. É sempre bom quando consigo trazer a Joan para fazer algo. Ela é uma lenda! 

 Alisson: Na verdade foi um momento surpreendente, estou feliz que você falou desse assunto porque eu quero falar um pouco sobre esse show. Eu amei que você postou sobre como você se preparou para o show fisicamente. Você correndo naquela esteira, cantando e trabalhando na sua energia, mas você não cantou uma música qualquer, foi “Rebel Girl” da banda Bikini Kill, que é uma escolha incrível.

 Miley: Eu meio que penso nos meus shows como se fosse uma atleta, uma lutadora. Uma coisa que eu amo sobre a nova forma que estamos fazendo minha música é que pensamos nela de acordo com meu humor, não é sobre gênero [musical] mais. Isso é se arriscar. Estamos fazendo isso com sexo, idade, com a ideia do envelhecimento, o racismo… Nós estamos nos arriscando entre essas linhas e divisões. Entre meus artistas favoritos, muitas de suas músicas são sobre política. Seus ativismos estão em suas performances, seus estilos, na forma que dão entretenimento ao público. Kathleen Hanna escrevia “slut” (puta) em seu peito enquanto vestia uma calcinha e cantava rock-and-roll em um tempo em que as pessoas só viam homens cantando esse gênero musical. Até mesmo Joan foi aconselhada a se livrar da guitarra, porque não era aquilo que queriam ver. Se ela quisesse conseguir algo, tinha que largar a guitarra, o couro e ser mais feminina. Eu amo a forma que Kathleen era auto-depreciativa, colocando um tom quase humorístico a isso e ao mesmo tempo exigia uma ação, quase criando novas políticas. Eu acho que existe um casamento entre política e música. Existe espaço para o velho entretenimento musical, às vezes é isso que você quer fazer na sua música, mas existem tempos em que você quer (na sua música) exigir e refletir sobre o que está acontecendo politicamente e culturalmente, e Kathleen é uma inspiração por causa disso.

 Alisson: Eu amo esse contexto porque você está certa. Bikini Kill realmente acreditaram que garotas podem formar bandas. Elas formaram essa rede secreta de indivíduos e juntas geraram essa grande voz. Eu amo que você ama todo esse contexto também. É ótimo!

 Miley: Eu acho que isso é como se parece a minha lealdade com artistas. Mais do que artistas que eu escuto ou que me dão ajuda para pensar, mas artistas que eu sou fã desde criança. Eu até mencionei isso no meu show em Tampa… meu pai tinha um jukebox e nele tocavam Johnny Cash e artistas parecidos sem parar. Ele não tinha muitos artistas country’s em sua jukebox, para ser honesta. Ele tinha Adam James. Muitos artistas não pude escutar até ser mais velha. Meu pai me levava todo dia para o trabalho, porque trabalhávamos juntos e ele sempre colocava Adam James pra tocar e eu escutei isso por quatro anos, mas também tocava Stevie, Joan, Debbie… todas artistas mulheres no rock e meu pai nunca permitiu que eu crescesse com aquele estigma estereotipado de que rock era para homens.

 Alisson: Isso é realmente incrível. Quando você entrou no palco em Tampa com Joan Jett e Billy Idol, nesse ponto da sua carreira, é algo que você já se acostumou ou você teve aquela experiência surreal de tentar entender o que estava acontecendo?

 Miley: Eu nunca pensei e não quero que se torne comum em pensar que isso é uma coisa normal. Eu não quero me sentir normal. Sempre que estou no palco eu tento encontrar aquele momento na minha infância em que tudo o que eu via eu tentava digerir, aprender daquilo, melhorar e evoluir. Eu tento ter essa mesma mentalidade e tento absorver todo o conhecimento. É engraçado porque Joan ainda se frustra com ela mesma, ela ainda pensa que não é boa o bastante. Eu meio que respeito isso. Se você me perguntar se gosto de ficar confortável com algo, eu não gosto de ficar confortável. Ela também não gosta de ficar confortável. Ela gosta de desafiar os limites e sempre expandindo a caixa em que é colocada. Então eu realmente respeito isso. A mesma coisa acontece com Billy. Eu pude cantar não só Night Crawling e Bad Karma [com Joan], mas também cantei White Wedding e Bad Reputation. Uma coisa que aprendi com Billy é que muitos artistas antigos e lendários ficam cansados de cantar as mesmas músicas, então eles se reinventam. Quando eles cantam ao vivo você nunca vai escutar da forma original, mas ao mesmo tempo soa como no disco, pois é isso que você quer ouvir. Então essa é uma das coisas que eu faço e aprendi com Billy. Quando as pessoas vem para seu show, quero dizer, eu canto Paul Simon e Metallica no meu setlist porque é isso que quero fazer, mas para os fãs, que gostam das minhas músicas antigas, eu as mantenho de encontro com a forma que era no álbum, porque é isso que as pessoas amam e reconhecem. É isso que eles ouvem e os fazem querer cantar junto. Então essa é uma das lições que aprendi com Billy. Se é algo quebrado, não conserte. Mantenha os clássicos, como clássicos.

 Alisson: Eu amei isso. Você tem algum tipo de ritual que você faz antes de ir para o palco, algo que passa pela sua mente ou algo que faz?

 Miley: Novamente, falando sobre me sentir como uma atleta, minha rotina em dias de show mudou bastante. Estou mais velha e mais ousada, então enquanto eu cresço permito que minha rotina cresça também. Antigamente, depois dos shows, eu costumava fumar bastante, ficava sem dormir com meus amigos sempre por perto. Era algo como “posso ir na sua festa depois do show?”, eu ficava ligada até o último segundo. Então eu acabei tendo uma lesão nas minhas cordas vocais e tive que fazer cirurgia há, mais ou menos, dois anos. Eu olhei algumas fotos das minhas cordas vocais e elas pareciam as do Steven Tyler. 

Não tinha como elas estarem assim nos meus 20 e poucos anos, mas acho que o que contribuiu para que isso acontecesse foram meu estilo de vida e também o tom de voz que eu nasci. Minhas cordas vocais são naturalmente grossas e “sujas”. Ultimamente me sinto sortuda, porque muitos artistas passaram por isso tarde em sua carreira, muitos porque sua carreira começou mais tarde do que a minha. Minha sorte é que consegui ajeitar esse problema mais cedo do que outros artistas. E como eu disse, muito desse problema se deu não só de festejar muito após os shows, mas porque eu nunca tive conhecimento disso até o dia da minha operação. Nunca tive o conhecimento de que o que faço é um esporte. Atletas têm suas carreiras mais curtas do que artistas. Se você olhar para alguém como Stevie e Dolly, esses são os exemplos de carreira que eu quero ter. Para ter essa longevidade na carreira existem maneiras para se preservar. Minha rotina hoje é muito mais estruturada. Correr na esteira e monitorar minha energia é para, obviamente, controle respiratório na hora de cantar. Também me ajuda com a ansiedade que tenho na hora de performar, principalmente porque fazia um ano que não pisava em um palco. Então eu não sabia como meu coração ia lidar com aquilo, por isso estava correndo na esteira, para controlar meu coração e minha respiração.

 Alisson: Eu sempre disse que os músicos são atletas. Especialmente músicos que também são performers como você. Você tem que aquecer suas cordas vocais e seu corpo, fisicamente falando, por causa dos movimentos que faz.

 Miley: Eu acho isso muito importante e, novamente, umas das coisas que falo e que você tem a plataforma perfeita para falar também é que minha rotina tem muito a ver com a música em si. Vou te mandar minha playlist de uma hora que eles deixaram eu tocar antes do show. Tinha Van Halen, Guns and Roses… essa é a forma que meu pai me ensinou a nadar. Ele colocava música e eu nadava de acordo com a batida. Até aprender a andar de bicicleta foi assim. Era tudo sobre a música. Essa é a forma que fui criada. Música é como eu fui criada. É parte da minha identidade e sempre música sem gênero. É parte do porquê amo morar em Los Angeles, tem pessoas de toda parte do mundo que trazem tantas culturas e músicas diferentes e eu amo estar exposta a isso. Então parte da minha rotina antes do show é sempre ouvir músicas diferentes, nunca o mesmo. Seja uma rapper bem ‘bad bitch’ que entre na minha cabeça, pode ser Debbie, Ramones ou algo para bater minha cabeça e obter essa energia. Poderia ser uma música country ou algo que me lembre meu avô, de quem herdei boa parte da minha música.

 Miley: Minhas escolhas musicais, obviamente, é meio experimental quando a gente fala de gênero, o que às vezes as pessoas podem não entender, mas eu acho que ela começou a se desenvolver. Sabe, eu amo as playlist momentâneas, pois ela é sobre sentimentos atuais, e não sobre gênero, eu amo isso.

 Alisson: Vários pilares em uma playlist de gêneros diferentes, porque como você disse, é isso que as pessoas estão escutando no momento. Teve um show seu que eu assisti que me fez mudar a maneira como eu te via como artista, foi no tributo a Chris Cornell, quando você entrou e cantou “Temple Of The Dog’s Say Hello 2 Heaven, sabe, todas as vezes que alguém tenta fazer um cover de Chris Cornell é uma tarefa árdua, mas essa noite em particular, foi tão emocionante, você hipnotizou todo mundo, eu lembro que Lars do Metallica estava postando sobre você, o que isso significou para você, fazer parte daquela noite? e ver que a sua versão da música de Chris recebeu tanta aclamação.

 Miley: Aquela noite para mim, não foi sobre uma validação sobre o que eu estava fazendo, foi meu jeito de honrar Chris. Ele foi ao meu show com sua filha. Então é como eu penso nele, como um bom pai. Aquela noite eu senti a energia de Chris, o amor pela vida, a lealdade dos fãs, a sintonia que você sentia dos fãs, a lealdade e o amor por Chris e sua carreira, foi isso que senti. E quando eu estava no meu caminho de volta, naquela noite, minha mãe me levou para casa depois do show, e eu percebi que morava na Cornell LA e eu nunca tinha percebido isso. Então eu me senti realmente abençoada.

 Alisson: Foi uma noite linda, mágica, uma performance mágica. E um ano depois eu te vi novamente, em outra noite mágica, só que dessa vez celebrando The Doors. Você cantou Roadhouse Blues com Robby Krieger e Andrew Watt, essa foi a última noite que eu saí.

 Miley: Foi minha última noite fora também, o corona estragou tudo, uma semana depois, foi o meu último show antes do corona.

 Alisson: Foi incrível, foi a última noite que eu saí, e na verdade foi a melhor noite, uma noite mágica.

 Miley: E foi tudo muito aleatório, pois Andrew ia tocar sozinho, e eu estava tipo “você vai tocar sem mim?” Então eu cantei para homenagear o aniversário daquele álbum, e ainda trabalhar com Robby, não é sempre que você tem uma oportunidade como essa. Eu não sei como explicar é tão impactante para mim. Uma vez, eu tive uma conversa muito engraçada no camarim com Paul Simon, nós estávamos tocando Billie Joe, algo assim e ele é meio perfeccionista quando se fala de turnê e para ele a setlist deve ser tipo: uma pra eles, uma pra você.

 Alisson: Eu amo isso

 Miley: Então foi assim em the doors, e é assim quando eu faço covers na minha turnê, ou coloco minhas músicas clássicas, quando toco as músicas as pessoas gostam e acreditam no que eu estou fazendo…

 Alisson: Você sempre esteve na frente das câmeras e da mídia a sua vida toda. Onde você se encontra no momento?

 Miley: Quando eu estou na frente de uma câmera, é que escrevo uma música, é o momento. Se eu estou de coração quebrado, por exemplo, teve um dia em “Mother’s Daughter’ que, aquele vídeo não tinha nada haver com eu estar de coração partido, e eu estava assim aquele dia porque eu e meu parceiro de 10 anos resolvemos terminar de vez na noite anterior. E eu cantando as frases da música e vendo a minha mãe e eu percebi o quão a minha mãe é forte. Ela é adotada, ela sentiu a vida toda dela que não era querida por ninguém, e eu estou tentando ser uma pessoa resiliente que nem ela. E eu estava tendo uma recaída por trás das câmeras, e mesmo que eu estava fazendo um vídeo usando uma roupa de látex vermelho, com diamantes e eu tinha que estar dançando, não era um dia que eu queria estar assim e sorrindo. Eu estava de coração partido e eu me permiti sentir isso. E todas as vezes que eu tiro uma foto ou eu estou nas câmeras, sempre é a verdade, assim como escrever uma música. A minha vida não foi sempre assim. Eu cresci em uma sitcom e nós tínhamos que fazer as pessoas rirem, mas o nosso show também tinha muito sentimento. E foi isso que fazia as pessoas quererem sentar toda semana e assistir. Fazia as pessoas sentirem que mesmo que fosse um programa infantil, tinha sentimento. A conexão com o meu pai e meus colegas de show eram reais. Eu sempre acreditei na autenticidade do momento, mas tinha vezes que eu tinha que fingir. Eu passei por muitos términos naquela época. Eu menstruei pela primeira vez naquele set. Tudo que era pra acontecer comigo e meu crescimento foi naquele set. Eu tinha que contar uma história que não era minha. E eu me recuso de fazer isso de novo.

 Alisson: Você tem aquele show chamado ‘Jean’ e a Dolly Parton é a sua madrinha e eu penso que isso está no seu sangue, mas você também é humana e não consegue deixar tudo arrumado.

 Miley: Dolly criou um personagem, mas é um personagem baseado em honestidade, eu sou sua afilhada, eu conheço ela, e ela é honesta. Às vezes, quando ela está na televisão, você sente como se ela estivesse olhando e conversando diretamente com você, tem os dois lados do coração, tem entretenimento, tem um escape do que ela faz, mas tem histórias sendo contadas honestidade, um relacionamento. Não sei se você viu no twitter ou no instagram, que queriam colocar uma homenagem pra ela num prédio do Tennessee e ela disse que agora não era o momento de homenagearem ela, que o que ela faz não é sobre a honra e sim sobre fazer o bem e ela pediu pra eles não fazerem isso (homenagem). É, ela não quer ser colocada em um pedestal.

 Alisson: Que lenda viva! Ela é a melhor! É muito estranho essa sensação de você ver ela no palco e ao mesmo tempo sentir que conhece ela.

 Miley: Né? Ela tem muita classe e é muito honrosa, ela é tipo “por que você quer me colocar num pedestal? Com tudo o que está acontecendo com o mundo agora, isso não é sobre me honrar, é sobre eu continuar a luta” e eu amo isso. Então ela sempre tem coração, sempre tem verdade.

 Alisson: Sim, você tem razão e eu fui sortuda em poder ver ela no Kenny Rogers farewell concert em Nashville alguns anos atrás, e foi uma noite maravilhosa, mas quando a Dolly subiu no palco, é estranho porque simultaneamente enquanto ela é a maior rockstar, você consegue sentir que você a conhece e é uma posição bizarra que apenas ela consegue fazer.

 Miley: Eu tive uma conversa esses dias com um cara, sobre a diferença entre artistas, atores e músicos e atores tem a vida difícil, atores tem que ser uma estrela em sua própria individualidade e não, você tem que ser interessado neles e eles radiam uma qualidade que é magnética e você fica interessado neles, mas eles precisam ser uma folha em branco o suficiente para você conseguir acreditar que eles são qualquer um porque você não quer ver eles próprios quando você está assistindo um filme ou um personagem

 Alisson: Eles têm que ser camaleões

 Miley: Eles têm que ser camaleões e não é isso que acontece com artistas. Com artistas… igual você estava falando, você quer ter esse escapismo, você quer ouvir meus piores dias e eu ainda assim vou ser um bom apoiador, mas quando é o momento de Wrecking Ball, quando é o momento de contar a verdade, o momento de contar essa história, eu me permito quebrar isso, então eu acho que tem uma balança aí.

Alisson: Sim… E falando em Wrecking Ball, você viu o cover do Billy Corgan de Samashing Pumpkins?

 Miley: Sim!!

 Alisson: Muito legal

 Miley: Muito legal!! Eu sempre estou fazendo covers, então é muito legal quando alguém que eu respeito faz um cover meu.

 Alisson: Alguma coisa a mais que você queira compartilhar com seus fãs? Alguma coisa que você ache que seus fãs ficarão surpresos de saber sobre você?

 Miley: Alison, uma coisa engraçada que eu queria mencionar é essa história com o John da guitarra, porque as pessoas ficam falando e eu tive uma reunião alguns meses atrás antes de Plastic Hearts ser lançado e alguém disse na ligação “tem algo que podemos fazer por você?”, “tem algo que você não tenha feito na música ainda que você quer fazer?”, “quais são seus objetivos?”, “como nós podemos ajudar você nesse próximo projeto” e eu acho que não tenho refletido o que eu sou durante os últimos anos e eu realmente queria começar a mudar isso, onde eu me encaixo e eu adoraria fazer um álbum de rock e o cara riu de mim e disse ‘ok obrigado pela ligação’ e não disse que iria ajudar, nada. O cara riu de mim e 2 meses depois eu tive um álbum no Rock Top Charts e eu quero que todo mundo… Sabe… O único momento que você tem que aceitar um não como resposta é quando uma mulher ou um homem diz que não quer transar com você, se eles disseram ‘não’ você aceita essa resposta, qualquer coisa além dessa situação você nunca aceite um ‘não’ como resposta.

 Alisson: Ótimo conselho.

 Miley: Se eles não quiserem transar com você, não insista, mas, qualquer outra situação, “não” nunca é o fim. Eu meio que amo isso, porque eu já ouvi muito dessas histórias de portas sendo fechadas na cara das pessoas e depois vem esse momento de conquista, tipo o Joan (Jett), I Love Rock and Roll e ter alguém rindo da minha cara sobre eu fazer um álbum de rock e 2 meses depois ter um vídeo meu enquanto meu time me contava que o álbum estava em primeiro no Rock Charts, isso foi louco. Então eu não quero que ninguém aí acredite que ‘não’ é o fim.

 Alisson: Eu amei esse conselho. E esse álbum fala por ele mesmo, e é um ótimo álbum de rock, do começo ao fim e um personagem maravilhoso, eu sempre soube o quão talentosa você é…

 Miley: Não é concreto, é isso que eu gosto em Plastic Hearts. É o que eu acho que é mais evoluído em Plastic Hearts. O que mostra um lado do meu crescimento é que [o álbum] não está tentando ser definitivo e eu sinto que, por causa das pessoas sempre tentarem me definir dizendo “Você é assim!”, eu fazia essas declarações super definitivas, “Não! Eu sou assim!”. Nós todos estamos evoluindo e aprendendo e mudando, então você não pode se apegar a quem pensa que é porque você muda com todas as experiências que vive. Até mesmo agora nesse podcast conversando sobre rock ‘n roll ao invés de dizer “eu tenho um álbum nas paradas de rock, eu estou fazendo rock agora”. Não, eu só estou fazendo músicas que são honestas e verdadeiras. E outras pessoas vão te definir por você, para o bem ou para o mal, mas eu tento não me definir ou definir o que estou fazendo porque muda muito rápido.

 Alisson: Amei isso! E adivinha… Você é multifacetada! Todas essas coisas podem ser parte de você. Nós todos somos multidimensionais e multifacetados, é muito difícil definir uma pessoa.

 Miley: Sim, nós somos todos muito complexos. Todas as nossas experiências nos mudam de alguma forma. Eu tenho uma teoria de que eu dou boa noite pra mim mesma toda noite e desejo bom dia para a nova eu que eu ainda não conheço, porque eu nunca vou acordar sendo a mesma pessoa que foi dormir. Isso costumava me deixar triste quando eu era criança, eu sentia que o que tinha acontecido naquele dia ia marinar e me mudar. E muda, te deixa com calos. Até nos torna reativos, quando alguém diz algo que é um gatilho para uma experiência passada. Eu costumava ser muito reativa e eu tenho trabalhado nisso nos últimos dois anos. Controlar minhas reações, porque eu percebi que as pessoas que estavam recebendo minhas reações estavam recebendo o que era de outra pessoa que me machucou anteriormente. 

 Alisson: Você estava projetando, era uma resposta emocional. Eu entendo completamente. Eu já fui assim e é algo que eu trabalhei com o passar do tempo. Sempre vai estar presente, mas você melhora com o tempo.

 Miley: Eu tinha uns blackouts e atacava a pessoa, sendo que o que ela fez nem era tão ruim assim. O Wayne Coyne me ajudou muito com alguns desses valores, eu acho que ele é uma das pessoas mais compassivas do planeta. Até mesmo a base dos projetos do Flaming Lips é o amor. O som que eles fazem é amor, quando você vai a um show do Flaming Lips eles encerram com luzes psicodélicas dizendo “amor” por toda parte. Muitos dos artistas que eu trabalho dizem que amam o Flaming Lips quando menciono que fiz um álbum com o Wayne. Muito do porque eu respeito tanto o Wayne e o Flaming Lips é porque muito da base deles está no amor. Um produtor me perguntou outro dia se eu pudesse ouvir só uma banda pro resto da vida, qual seria e eu respondi: Pink Floyd. Eu sinto que muitos dos artistas que eu mais amo estavam fazendo sua melhor emulação do Pink Floyd. Eu gosto do quão conceitual todo o projeto é. Eu amo isso no Flaming Lips também, eu amo o Christmas on Mars, eu amo que eles fizeram em filme, eu amo o quão conceitual é. Hoje de manhã eu me exercitei e ouvi Young Lust, eu estava ouvindo Pink Floyd e aí a Megan Thee Stallion está na mesma playlist.

 Alisson: Amei! Eu sinto que isso é uma metáfora de quem você é.

 Miley: Sim, eu fui do The Wall para Good News da Megan Thee Stallion.

 Alisson: Você mencionou seus exercícios. Como você se exercita normalmente? Ou está sempre mudando?

 Miley: Eu estava fazendo muito strong yoga por um tempo, eu gosto que tem uma estrutura. Eu acho que as pessoas pensam “selvagem e indisciplinada” quando pensam em mim, mas eu realmente preciso de estrutura. As pessoas mais loucas precisam. Então, a estrutura que eu tenho com strong yoga, gosto muito de hardcore pilates, faço muitos exercícios de resistência. Eu tenho um saco de pancadas pra quando alguém me estressar, mas o Andrew Watt me disse que tenho que tocar guitarra na turnê, então não posso mais socar porque vou quebrar meus dedos. Ele disse: “Você tem que estar no palco com a sua guitarra na turnê!”, então agora eu comecei a chutar, faço kickboxing e uma das minhas metas esse ano é aprender defesa pessoal, eu quero muito começar a fazer escaladas. É sempre bom ser humilhada pela natureza. Agora que estou trabalhando a minha respiração, eu amo mergulho profundo. Eu tenho muitas metas fora da música. Agora que estou vendo minha arte como uma forma de atletismo, isso se transformou em eu me tornando uma melhor atleta. Mergulho e escalada são minhas metas para 2021.

 Alisson: Eu faço qualquer uma dessas coisas com você, se você quiser. Minhas duas cores são música e atletismo. Eu amo me desafiar física e mentalmente. Você mencionou defesa pessoal, uma vez eu fiz krav maga e é muito difícil. Uma vez eu pratiquei esgrima, meu Deus!

 Miley: Esgrima é muito doido! Você sabe qual estilo você praticou? 

 Alisson: Não tenho certeza, mas era muito mental.

 Miley: Um é mais sobre apunhalar e ir pra cima. O outro é mais sobre tortura. Existem dois tipos de estilo de esgrima e, aparentemente, o de apunhalar é parecido com dançar.

 Alisson: Eu acho que foi esse que eu pratiquei.

 Miley: E são muito intensos, é como uma rotina de dança completa.

 Alisson: É intenso! Era tão mental, eu queria ser mais física, mas foi muito mental e disciplinado. É bem desafiador.

 Miley: Se você quiser ir escalar, essa é minha meta em 2021. Eu acho que precisamos ir em uma academia e fazer. Eu me sinto muito inspirada por escaladores. Eu amo a ideia de que a natureza sempre vai vencer. Eu aprendi isso com o incêndio, a natureza sempre vai vencer. Eu cresci em Nashville, onde sempre tinha muitos tornados e meus pais ajudaram a limpar depois do Katrina. Nós visitamos o Haiti algumas vezes. Eu já vi a devastação de quando a natureza toma conta e eu acho que é a experiência que te deixa mais humilde sempre que você está com a natureza e ela te desafia. Ela sempre vai ganhar. Escalar é algo que eu gosto, e quero começar a mergulhar. 

 Alisson: Minha combinação favorita é atletismo e natureza.

 Miley: É a melhor coisa. Você já fez paraquedismo?

 Alisson: Não, mas está na minha lista de desejos. Você já?

 Miley: Eu fiz a capa da Rolling Stones logo depois do VMAs de 2013. Eu sabia que a entrevista seria “você estava drogada no VMA? Por que você rebolou no Robin Thicke?”. Então eu disse que só faria a entrevista se ele pulasse de um avião comigo. Só vou fazer se for assim e a entrevista acontecerá em Paris, na Califórnia, no meu caminho pra casa. Eu fiz ele comer um burrito num drive-thru, fumar um baseado e pular de um avião. E eu também fiz ele fazer uma tatuagem escrito Rolling Stone na sola do pé, o que é a pior dor do mundo. E eu o respeito muito porque ele fez tudo. Tem um vídeo e é claro que eu coloquei a língua pra fora, mas estamos no ar então minha língua fica batendo no meu rosto. Eu estava igual a um cachorro com a cabeça pra fora da janela do carro. Foi louco!

 Alisson: Eu queria muito te perguntar isso porque meu vício é colecionar fotos do rock. Eu tenho minha galeria pessoal, que eu amo e estou sempre adicionando mais coisas. 

 Miley: Eu quero ver!

 Alisson: Sim, é bem especial. Você fez um ensaio com o Mick Rock, como foi essa experiência? 

 Miley: Eu tenho várias fotos de rock tiradas pelo Mick Rock na minha casa, eu tenho uma foto irada do Motley Crue, eu tenho uma do Bowie se arrumando com a maquiagem louca dele.

 Alisson: Para mim, esses momentos são tesouros. 

Miley: Sim, eu tenho muitas fotos do Mick Rock na minha casa. Honestamente, eu não tenho ideia do que ele está falando na maior parte do tempo. Eu e ele tivemos uma conversa muito profunda, mas não foi com palavras. Você tem que alcançar um estado de telepatia com o Mick Rock. A gente estava conversando sobre algo, aí do nada ele começou a me falar que nada é real, tudo está em outra dimensão e nós temos que ir achar. Então, eu não tenho ideia do que está acontecendo na maior parte do tempo. Às vezes eu ficava tipo, “Mick, vem ver isso que eu comprei, eu tenho que te mostrar esses sapatos novos, e a minha maquiagem e minhas unhas…”, e aí eu percebo que ele tá pouco se fudendo pra isso, ele só quer tirar as fotos. Uma coisa que eu amei foi que eu perguntei “você vai tirar essas fotos em filme? quais câmeras de filme você usa?” E ele ficou tipo “por que eu faria isso? não dá pra ver [as fotos]”. Ele adora tirar fotos no iPhone porque é uma gratificação instantânea.

[…]

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Publicada por: Elton Junior

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